14 de junho de 2012 • 00h20 • atualizado 00h32

A companhia siderúrgica ArcelorMittal terá de pagar US$ 25 milhões de indenização a
um ex-funcionário da fábrica da cidade de Lackawanna (Nova York) por
discriminação racial durante anos, publicou nesta quarta-feira o jornal Buffalo News.
Elijah Turley, um afro-americano que trabalhou para a gigante do aço
entre 2005 e 2008, receberá a quantia após o júri encarregado do caso decidir
por unanimidade considerar a empresa como responsável pela cultura de
discriminação racial que se instaurou na fábrica.
Durante o julgamento de três semanas, Turley declarou ter sofrido assédio
dos colegas de trabalho, que, segundo ele, o chamavam de "macaco".
Afirmou que uma vez chegou a encontrar um macaco de pelúcia pendurando do
espelho retrovisor de seu automóvel
.
"É absolutamente impactante que um caso como este esteja nos
tribunais em 2012", disse em suas alegações finais o advogado do
trabalhador, Ryan Mills, para quem a situação "deveria ser vista como
atroz e intolerável em uma sociedade civilizada".
Turley revelou também durante o julgamento que, numa ocasião, encontrou
dizeres pichados alusivos ao Ku Klux Klan (grupo americano que prega o racismo)
nas paredes da fábrica onde trabalhou durante 14 anos.
Após conhecer a sentença, a ArcelorMittal emitiu um comunicado de
imprensa no qual garantiu que a empresa adota a política de "tolerância
zero" à discriminação e ao assédio, e deixou entrever a possibilidade de
recorrer da sentença. "Estamos surpresos pela decisão de hoje.
Consideramos a multa excessiva", acrescentou a nota da empresa.
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