Ao se formar, Adriana Araujo queria ser Gerente de Marketing em uma
multinacional, morar e trabalhar no exterior, além de ter uma posição de
destaque na sua área de atuação. Ela conseguiu. Trabalhou no Brasil, na
Venezuela, na França e nos Estados Unidos em posições gerenciais. Mas
quando atingiu seu objetivo, Adriana não se sentia feliz. Na caminhada
até seu objetivo ela descobriu que o ela queria era fazer outra coisa. E
ela fez. Tudo de novo.
Conheça a história da Adriana Araujo, que com muito humor e alto astral, me concedeu a entrevista abaixo.
1.Você consolidou uma carreira na área de Comunicação e
Marketing, inclusive com vivência internacional. Como foi desperdiçar
sua experiência nesta área e abandonar tudo para mudar de profissão?
Acredito
que nada na vida se desperdiça. Construí uma carreira de 9 anos em
Marketing e não me arrependo nem um pouco. Fiz coisas maravilhosas em
escopo regional e global. Conheci muitas culturas, maneiras de consumo
distintas, costumes, e foi aí que começou meu interesse pelas pessoas!
Creio que esta vivência toda tenha me levado a reavaliar minha trajetória e despertar um questionamento interno. O que de fato eu queria para minha vida?
Creio que esta vivência toda tenha me levado a reavaliar minha trajetória e despertar um questionamento interno. O que de fato eu queria para minha vida?
2.Qual foi a maior dificuldade desta decisão?
Eu
havia traçado uma meta na minha vida: trabalhar em uma grande
multinacional, ter uma experiência no exterior, um cargo de destaque e
“casa comida e roupa lavada” (risos). Depois de ter conquistado isto
tudo ficou a questão do “e agora, o que mais?” Este desafio não me
preenchia mais, sentia um grande vazio. Fiquei mais de um ano sem saber a
resposta para a desmotivação que eu sentia mesmo tendo atingido tudo o
que havia desejado. Para ser mais objetiva diria que o mais difícil foi
admitir para mim mesma que precisava buscar outro caminho. Não seria
nada fácil, mas com certeza me faria mais feliz.
3.Em
nossa conversa, você comentou de interesses em outras áreas do
conhecimento como Naturismo. Isto ajudou na sua decisão ou ainda é outro
sonho a ser perseguido?
A direção do Naturismo veio da vontade
que sempre tive de fazer a diferença na vida das pessoas. Pensei em
abrir um SPA Urbano para que pessoas tivessem um refúgio em momentos de
estresse. Eu acreditava que entenderia a realidade destas pessoas uma
vez que eu mesma já havia me sentido perdida em meio a milhões de
questionamentos. Nesta época trabalhava em São Paulo na mesma
multinacional que trabalhei fora do Brasil. Como pedi demissão e voltei
para o Rio e a faculdade de Naturismo só existia lá, decidi pensar em
alternativas. Foi então que cheguei na idéia de trabalhar em RH.
4.Para ganhar experiência em RH, você iniciou sua carreira
“novamente”, e deixou uma posição de gestão em marketing para ser
analista júnior em RH. Como foi comunicar isto para seus amigos, para
sua família e – o mais importante – como foi comunicar isto para você
mesma todos os dias antes de ir para o trabalho?
Nada fácil.
Antes disso eu cheguei a dar aulas de inglês em um curso renomado do
mercado. Sinceramente, dar aula foi uma experiência maravilhosa. A cada
dia, a cada turma e a cada aula eu percebia o quanto conseguia agregar
na vida das pessoas através da minha boa vontade e didática que nem
sabia que tinha. No entanto, tinha o outro lado da moeda: a decepção do
meu pai, a culpa que eu sentia por ter feito esta movimentação, a grana
que era curtíssima, a mudança total de estilo de vida, a vergonha que
sentia por vezes de não estar no nível que minhas companheiras de
trabalho estavam. Foi quando fui buscar auxílio. Tomei duas novas
iniciativas: Meditação e Terapia. Esta dupla me ajudou muito a me
diferenciar das cobranças sociais e focar em mim mesma. Hoje medito
praticamente todos os dias.
5.Em algum momento você teve dúvidas se estava no caminho certo e teve vontade de desistir do seu plano e voltar atrás?
Sabia
que deveria mudar meu caminho, mas não sabia se o caminho que eu havia
escolhido era o caminho certo. Certa vez a grana ficou tão curta que
comecei a me candidatar para vagas de Marketing para poder ganhar mais
mesmo sabendo que seria infeliz. Mas logo caí na real e percebi que
havia levado 9 anos para construir minha carreira em MKT e que agora
precisava me dar mais tempo e não me cobrar tanto para ter resultados
mais concretos em RH.
6.O que uma pessoa que pensa em mudar de carreira ou de área de atuação como você fez deve levar em consideração?
É
preciso ouvir os sinais do corpo e do emocional. Se a pessoa não está
feliz, se esforça muito para ir trabalhar todos os dias, não vê sentido
no que faz, não tem um propósito a ser atingido com seu trabalho e o
único foco do trabalho é pagar as contas, é preciso repensar. Neste
caso, é preciso levar em consideração o que se deseja de verdade, e
quantos passos para trás serão permitidos pela sua estrutura de vida. É
importante também ter um plano de ação para a mudança, um forte apoio
familiar e terapêutico se for o caso. O caminho não será fácil!
7.Alguma última mensagem para os leitores do blog?
Coragem!
Eu tenho o costume de dizer que uma pessoa de 40 anos hoje em dia vive
facilmente até os 80, ou seja porque não mudar? Dez anos bem vividos
valem mais do que 60 anos de frustração. Mudem! Mudem de casa, de carro,
de carreira, de parceiro, mas sejam fiéis a si mesmos, aos seus valores
e a tudo que acreditem. O que move o mundo é a mudança, então por que
não sermos um agente impulsionador do mundo?
Hoje Adriana ocupa a posição de Gerente de Recursos Humanos em uma empresa multinacional no segmento de IT".
Fonte: www.vocesa.abril.com.br/blog/marcelo-cuellar


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