Quando criança, muitas vezes brincamos
de tesoura, pedra e papel na esperança de conseguir ser o mais forte ou esperto
frente ao outro. Nessa brincadeira, os atributos de cada um são bem definidos:
a pedra é sempre mais forte que a tesoura, que corta o papel, que encobre a
pedra.
Ganhar no jogo significava incorporar
um atributo capaz de superar o outro naquele momento, sabendo que na próxima
rodada estaremos novamente expostos à fragilidade ou força do objeto escolhido.
Na vida profissional, estamos o tempo todo “brincando” também de superar ou
ganhar um jogo. E quem se dá melhor?
No jogo empresarial as regras são
implícitas e, muitas vezes, difíceis de serem assimiladas. Aqui, o papel pode
se rasgar ao encobrir a pedra, a tesoura pode cortar uma pedra, feita apenas de
fantasias, e o papel pode representar autoridade e poder, superando qualquer
outro atributo. Isso porque o ambiente de trabalho é extremamente dinâmico,
traz valores e significados diferentes para nossas potencialidades e
fragilidades dependendo da situação ou momento vividos.
Alguns profissionais se ressentem da
necessidade constante de atenção e adaptação às mudanças, pois se percebem mais
confortáveis com a estabilidade e a previsibilidade. A tendência à estabilidade
e previsibilidade é uma reação emocional esperada ao ser humano.
Qualquer mudança, em um primeiro
momento, provoca dois sentimentos desagradáveis: medo e ansiedade. Portanto,
naturalmente preferimos evitar viver a mudança para nos resguardar de possíveis
dores. Claro, que passado o susto e a resistência iniciais é possível descobrir
possibilidades infinitas. Mesmo com essa atitude reacional de medo e ansiedade,
é preciso estarmos atentos aos movimentos do ambiente e como cada atributo seja
de um colega, chefia, cliente, fornecedor se posiciona em relação às nossas
próprias características, em um determinado momento.
A relatividade das funções e atitudes
profissionais é uma das características das organizações que mais deixa os
profissionais inseguros e perplexos. Diariamente convivo com perguntas do tipo:
Mas, ele foi contratado para ser tesoura, como não consegue cortar papel? E,
como consultora, explico que apesar de parecer tesoura aquele profissional foi
promovido, não para cortar, mas para não deixar papéis voarem. Ou ainda, que
aquela profissional, apesar de não parecer, é uma pedra difícil de ser
encoberta.
No dia a dia de trabalho, o jogo entre
o profissional e o ambiente requer atributos de cada um dos objetos da
brincadeira infantil: temos que aprender a ser pedra, tesoura e papel. Pense
nessa analogia para rever posicionamentos e expectativas profissionais.
Texto
da Psicóloga Maria Helena Guimarães - FUMEC - Belo Horizonte - M
G

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